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Tropicalizando soluções: o que o Brasil aprendeu com o ReFED Summit 2026?

  • 10 de jun.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 12 de jun.

Como transformar sistemas alimentares para que produzam mais impacto social, econômico e ambiental com menos desperdício? Essa foi uma das perguntas centrais que mobilizou centenas de representantes de governos, empresas, organizações da sociedade civil, universidades e centros de pesquisa durante o ReFED Food Waste Solutions Summit 2026, realizado em maio, nos Estados Unidos.


Lideranças internacionais de diferentes programas de enfren tamento à Perda e ao Desperdício de Alimentos (PDA) no mundo.
Lideranças internacionais de diferentes programas de enfren tamento à Perda e ao Desperdício de Alimentos (PDA) no mundo.

Considerado um dos mais importantes encontros globais dedicados à prevenção da perda e desperdício de alimentos, o evento reuniu lideranças de diferentes países para compartilhar experiências, discutir tendências e apresentar soluções capazes de acelerar a meta global de reduzir pela metade o desperdício de alimentos até 2030.


Representando o programa Brasil Sem Desperdício, Luiza Soares e Alcione Pereira, da Connecting Food Brasil, participaram de um painel para apresentar os avanços que vêm sendo construídos no país e discutir o potencial brasileiro para contribuir com a transformação dos sistemas alimentares globais.


“O Brasil abriga a maior biodiversidade do planeta, além de ser um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo. Ainda assim, parte da população convive com diferentes níveis de insegurança alimentar. Por isso, enfrentar o desperdício de alimentos é essencial para o combate à fome e também para a preservação dos nossos biomas”, destacou Luiza.

Participação da líder do BSD, Luiza Soares, no Painel Avanços globais na redução do desperdício de alimentos e o que podemos aprender com eles
Participação da líder do BSD, Luiza Soares, no Painel Avanços globais na redução do desperdício de alimentos e o que podemos aprender com eles

Não existe solução única para enfrentar o desperdício

Entre os principais aprendizados do Summit, um dos principais consensos foi o de que não existe uma solução única para enfrentar o desperdício de alimentos. A própria presidente da ReFED, Dana Gunders, destacou que o desafio exige a combinação de múltiplas iniciativas atuando simultaneamente em diferentes etapas do sistema alimentar.


Essa visão dialoga diretamente com a proposta do Brasil Sem Desperdício, que busca construir um ambiente colaborativo entre empresas, governos, organizações da sociedade civil e academia para acelerar ações concretas de prevenção e redução da perda e do desperdício de alimentos.


Para o programa, eventos internacionais como esse representam uma oportunidade valiosa para entender o que já está funcionando em outros países e refletir sobre como adaptar essas experiências à realidade brasileira. Afinal, soluções desenvolvidas para determinados contextos precisam ser territorializadas para responder às características sociais, econômicas e culturais de cada região.


O evento abordou temas como tecnologia, inovação, mudança de comportamento, políticas públicas e colaboração multissetorial
O evento abordou temas como tecnologia, inovação, mudança de comportamento, políticas públicas e colaboração multissetorial

Outro tema que apareceu de forma recorrente ao longo do encontro foi a importância da mudança cultural. Diversos especialistas apontaram que o desperdício de alimentos ainda é tratado como algo normal em muitas sociedades. Por isso, cresce em diferentes países um movimento para reposicionar essa prática como um comportamento socialmente inaceitável, da mesma forma que ocorreu ao longo dos anos com temas como o descarte irregular de lixo ou o desperdício de água.


Nesse contexto, a comunicação assume um papel estratégico. As experiências apresentadas mostraram que campanhas focadas apenas em informação tendem a ter alcance limitado. Para gerar mudanças duradouras, é necessário traduzir o tema para a vida cotidiana das pessoas, conectando-o a questões práticas, hábitos domésticos, economia familiar e valores culturais.


A educação alimentar também aparece como uma ferramenta fundamental para transformar comportamentos. Debates sobre aproveitamento integral dos alimentos, planejamento de compras, armazenamento adequado e valorização dos alimentos mostraram como pequenas mudanças podem gerar impactos significativos quando adotadas em larga escala.


Ana Carolina Bergaria, Luiza Soares e Fabíola Mattos, representando o BSD
Ana Carolina Bergaria, Luiza Soares e Fabíola Mattos, representando o BSD

Inteligência artificial ganha espaço no combate ao desperdício

A tecnologia foi outro destaque da programação. A inteligência artificial vem ganhando espaço como aliada no combate ao desperdício de alimentos, especialmente em setores como varejo, restaurantes e serviços de alimentação. Ferramentas baseadas em IA já estão sendo utilizadas para prever demanda com maior precisão, otimizar estoques, identificar padrões de perdas e apoiar decisões operacionais em tempo real.


Na prática, isso significa reduzir erros de planejamento, evitar compras excessivas e identificar pontos críticos onde os alimentos estão sendo perdidos ao longo da cadeia. Embora ainda existam desafios para ampliar a adoção dessas tecnologias, os resultados apresentados demonstram um potencial crescente para transformar a forma como empresas e instituições gerenciam seus recursos.


Para Luiza Soares, a participação no Summit também foi uma oportunidade de mostrar que o Brasil tem muito a contribuir para essa agenda global. “Nossa presença no Summit nos trouxe uma grande oportunidade para debater ideias com importantes lideranças que estão atuando nesse desafio ao redor do mundo. Representamos o Brasil e mostramos quais foram os nossos avanços como coletivo, quais são as estratégias nacionais e como o país tem potencial para despontar na transformação dos sistemas alimentares. Voltamos para casa empenhadas em tropicalizar as soluções que foram debatidas”, afirmou.


Ana Carolina Bergaria, Luiza Soares, Fabíola Mattos, Alcione Pereira e Priscila Socoloski: BSD e Connecting Food Brasil juntos no evento
Ana Carolina Bergaria, Luiza Soares, Fabíola Mattos, Alcione Pereira e Priscila Socoloski: BSD e Connecting Food Brasil juntos no evento

O encontro reforçou ainda a importância de ampliar a presença brasileira nos espaços internacionais onde estão sendo discutidas as estratégias para o futuro dos sistemas alimentares. Com uma das maiores produções agrícolas do planeta, enorme diversidade biológica e crescente capacidade de articulação entre diferentes setores, o Brasil reúne condições únicas para liderar iniciativas inovadoras de redução da perda e do desperdício de alimentos.


Mais do que trazer referências internacionais, a participação no ReFED Food Waste Solutions Summit fortalece o compromisso do Brasil Sem Desperdício em construir soluções baseadas em evidências, colaboração e inovação. Um trabalho que reconhece que enfrentar o desperdício de alimentos é uma agenda estratégica para o clima, para a economia, para a proteção da biodiversidade e para a construção de um futuro com mais segurança alimentar para todas as pessoas.


Assista ao painel Global Gains: International Food Waste Reduction and What We Can Learn, com a participação de Luiza Soares e Alcione Pereira: https://youtu.be/LuxEVeSLHSc?si=dnXGWdtH3tduxe5g

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