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Painel Brasil Sem Desperdício: Do compromisso à ação – como reduzir a perda e o desperdício de alimentos é uma estratégia para o clima e para os negócios

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

O combate à perda e ao desperdício de alimentos no Brasil exige uma abordagem que ultrapassa as fronteiras operacionais das empresas. Durante o painel promovido pelo movimento Brasil Sem Desperdício na São Paulo Climate Week na última quinta-feira (06/08), especialistas e representantes de grandes redes – todas mulheres - reuniram-se para debater como a colaboração multissetorial, a governança e a inovação tecnológica são indispensáveis para transformar essa realidade.


A moderação do encontro foi conduzida por Daniela Teston, do WWF-Brasil, que destacou a urgência de uma visão estratégica conectada à agenda climática.

"Apesar de não ser um tema ainda de conexão muito óbvia, combatendo a perda de alimentos a gente também contribui para enfrentar as causas da crise climática, evitando emissões antes que elas aconteçam."

A perspectiva acadêmica e de negócios abriu o debate com Priscila Claro, professora do Insper, que ressaltou o impacto financeiro e competitivo de repensar a cadeia produtiva. Segundo ela, desperdiçar vai muito além de gerar resíduos.

"Se o alimento não teve o seu propósito que é nutrir, a gente está deixando também para trás uma equação que é muito social. Desperdiçar é emitir poluentes em dobro e afeta diretamente a competitividade do negócio."

A fala conectou-se diretamente aos desafios práticos do varejo alimentar, detalhados por Cíntia Kita, gerente de mudanças climáticas e circularidade do Grupo Carrefour Brasil. Ela pontuou como a multinacional equilibra metas globais de redução de emissões e desperdício com as particularidades do mercado brasileiro.

"O varejo alimentar tem uma característica muito peculiar porque está em contato tanto com o consumidor quanto com quem produz. Isso nos dá uma possibilidade enorme de influenciar, mas também exige engajar a cadeia para transformar a nossa operação e reduzir emissões."

O setor de hospitalidade trouxe outra camada de complexidade para o debate: o comportamento do consumidor e a alta rotatividade operacional. Andreza Ranieri, gerente de sustentabilidade da Accor Américas, compartilhou os avanços e barreiras enfrentados na mensuração diária de unidades hoteleiras no Brasil:

"A gente começou a mensurar e se viu com um monte de dado, mas o desafio é engajar as equipes da cozinha diante do turnover e garantir que o cliente entenda que repor o buffet com inteligência é sinônimo de qualidade, não de escassez."

Complementando a visão sistêmica, Isabela Soares, representante da WRAP, enfatizou a importância de criar um ambiente pré-competitivo por meio de acordos voluntários:

"O pacto traz esses atores juntos para que a gente crie um espaço de colaboração entre as empresas, permitindo testar soluções financeiramente viáveis e escaláveis antes da regulação."

Retomando a discussão sobre o potencial transformador desses acordos, Priscila Claro pontuou como o aprendizado prático gerado pelos acordos voluntários pode pavimentar o caminho para políticas públicas mais efetivas. Para ela, iniciativas coletivas funcionam como um laboratório essencial:

"O pacto tem esse poder da gente testar antes de regular, inclusive a partir de evidências medidas por um grupo de empresas, orientando a formulação e a revisão de políticas públicas de forma mais segura e factível."

O encerramento do encontro reforçou que enfrentar problemas complexos como a insegurança alimentar e a crise climática exige maturidade institucional e união de esforços. Como bem resumiu Daniela Teston em suas considerações finais ao fechar o evento:

"Para resolver um problema complexo, a gente precisa de pensamento sistêmico. Cai a ficha que sozinho a gente não vai mudar nada; se a gente quiser ir longe, a gente tem que ir junto."

 
 
 

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