Brasil Sem Desperdício apresenta proposta em encontro promovido pelo governo federal sobre perda e desperdício de alimentos
- 11 de jun.
- 3 min de leitura
Atualizado: há 3 dias
Entre os dias 26 e 27 de maio, representantes do Brasil Sem Desperdício (BSD) integraram a comitiva que participou do I Encontro da Estratégia Intersetorial para a Redução de Perdas e Desperdício de Alimentos no Brasil. O evento ocorreu de forma integrada ao IV Encontro Nacional de Bancos de Alimentos, em Salvador (BA). Promovida pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), a iniciativa contou com o apoio do Sesc, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
Para o BSD, a participação foi fundamental para consolidar sua missão de atuar de forma colaborativa com o poder público, empresas, academia e sociedade no enfrentamento da perda e do desperdício de alimentos (PDA). O programa coloca à disposição do país sua experiência prática baseada em metodologias científicas, articulação internacional, governança e engajamento multissetorial.
Em Salvador, a iniciativa foi representada pelo conselheiro do Brasil Sem Desperdício Gustavo Porpino, da Embrapa, e por Isabela Soares, da WRAP, que formalizaram a entrega de um documento estruturado com propostas diretas para o plano nacional. O documento apresenta potenciais contribuições do Brasil Sem Desperdício para a implementação da II Estratégia Nacional de Redução de Perdas e Desperdício de Alimentos, com foco em mensuração, articulação público-privada e prevenção do desperdício de alimentos.
A estratégia coordenada pelo MDS tem o objetivo de articular ações entre múltiplos ministérios e agentes públicos e privados para fortalecer a segurança alimentar e promover a circularidade no país — um modelo econômico sustentável no qual os recursos e alimentos são plenamente aproveitados em sua função principal, que é nutrir as pessoas, evitando o desperdício em todas as etapas. Esse esforço conjunto se mostra urgente, uma vez que 16 milhões de pessoas ainda vivem em situação de insegurança alimentar leve ou moderada no Brasil.

Construindo pontes entre o setor público e o privado
Um dos pontos mais estratégicos da II Estratégia Nacional é a urgência em viabilizar parcerias público-privadas e acordos voluntários para mitigar a PDA. Como plataforma multissetorial que conecta empresas, governos e sociedade civil, o BSD oferece uma resposta prática a essa demanda. O programa funciona como um elo técnico capaz de impulsionar projetos-piloto, apoiar municípios na transição para a economia circular e estreitar o vínculo essencial entre a redução do desperdício e a agenda climática.
Por isso, o documento entregue pelo BSD aos representantes do governo detalha como a atuação da iniciativa fortalece as metas da estratégia federal para o período de 2025 a 2027, por meio de ações que auxiliem sua implementação.

Alinhamento prático e ações multissetoriais prioritárias
Na frente voltada para a mensuração e a produção de dados sólidos, o Programa propõe apoio à mensuração de perdas em culturas prioritárias, sugerindo estudos-piloto de quantificação em Centrais de Abastecimento junto à Associação Brasileira das Centrais de Abastecimento (Abracen), à Embrapa e ao IBGE, além de disponibilizar as pesquisas promovidas e incentivadas pelo programa para complementar diagnósticos sobre o desperdício em domicílios.
Dialogando com as diretrizes de fortalecimento dos bancos de alimentos, a proposta busca ainda criar uma base técnica para aprimorar critérios de mensuração, rastreabilidade e qualificação das doações entre as empresas signatárias e a Rede Brasileira de Bancos de Alimentos, otimizando a eficiência dos fluxos de doação de alimentos in natura e minimamente processados.
Já no âmbito dos incentivos fiscais, destaca-se a atuação do Grupo de Trabalho Fiscal do Brasil Sem Desperdício para mapear gargalos tributários e propor o aprimoramento de fluxos contábeis, transformando-os em estímulos reais para a doação segura de excedentes alimentares. Além disso, há a intenção de estruturar ambientes multissetoriais que apoiem os municípios no desenvolvimento de diagnósticos e ações locais de economia circular, reduzindo a destinação de resíduos orgânicos para aterros e lixões e mitigando as emissões de metano.
Acesse o documento "Proposta de contribuicão para a II Estratégia Nacional de Redução de Perdas e Desperdicio de Alimentos" clicando na imagem abaixo.





Comentários